Homem mora em cemitério há quase uma década

Homem mora em cemitério há quase uma década

O jornalista Claudiomar César e o repórter cinematográfico Emerson Carvalho trabalharam em cima da história de um homem que há quase uma década mora no cemitério de Marialva. Trata-se de Edson Aparecido Carvalho, um pedreiro que reside dentro de uma capela que um dia já deu lugar aos restos mortais de alguém.

É claro que ninguém faz a escolha de morar em um cemitério. E há algum tempo a produção do Balanço Geral e do Cidade Alerta Maringá vinham tentando contato com o homem para entender o que o levou a tomar essa decisão. Foi pelo empenho da equipe e pela insistência da dupla que finalizou a reportagem que conseguimos localizá-lo. Edson está entre os milhares de brasileiros que ainda se submetem a viver em condições subumanas por falta de atenção e cuidado.

Os vizinhos dele são as sepulturas, túmulos e capelas antigas, como a que reside. Ele se mostra à vontade em meio à imagens de santos, cruzes e estátuas, o que provocaria arrepios em qualquer pessoa. “Não vou falar que é bacana morar em um cemitério, mas é uma coisa que a gente já se acostumou. É melhor morar [no cemitério] do que na rua [onde] as pessoas podem passar e fazer alguma maldade”, conta o pedreiro.

"É melhor morar [no cemitério] do que na rua [onde] as pessoas podem passar e fazer alguma maldade."
“É melhor morar [no cemitério] do que na rua [onde] as pessoas podem passar e fazer alguma maldade.”
Edson não deixa claro os motivos que o levaram a essa vida, talvez até pela vergonha em tratar o assunto, mas creio que em algum momento a sociedade falhou com esse homem, ou esse homem falhou com a sociedade e foi abandonado. E daí é mais um que engrossou as estatísticas, das ruas, dos cemitérios e até de quem mora debaixo de pontes. E na simplicidade dele, o pedreiro consegue dar uma lição de moral, que eu diria que é um tapa na cara de muitas pessoas. “A situação que eu tô, eu vejo um monte de gente. Eu queria ajudar um monte de gente se eu tivesse um monte [de dinheiro], mas eu não tendo um monte, um monte de gente me ajuda”, desabafa.

Reclamamos muitas vezes da vida quando há quem tenha que ficar próximo da morte todos os dias, como é o caso de Edson. E falando em morte, o pedreiro não tem medo dela não, mas sim dos amigos irem embora antes do que ele, das pessoas que o ajudam, que o fortalecem.

Eu não posso e não consigo ajudar diretamente pessoas como o Edson, mas pelo menos faço a minha parte com doações para entidades sociais que vão à campo com trabalhos com moradores de rua, de pessoas com necessidades especiais, entre outros. Faço pouco, com o que eu posso na minha limitação, mas faço – doo quase todas as notas sem CPF para o Nota Paraná, programa de crédito do Estado. Já é um avanço, mas se cada formiguinha puder se mobilizar.

E falando de questão social, temos que continuar cobrando empenho das autoridades para tratar melhor quem necessita mais. A falta de insistência com quem precisa entender que tem que ser ajudado também colabora para o aumento de moradores sem um teto digno. Não é fazer uma visita a um morador de rua, oferecer uma “ajudinha” em um albergue por um dia e no outro virar as costas… é trabalhar constantemente para que todos possam ter uma vida melhor. E é justamente para isso que pagamos nossos impostos que claro, não voltam todos para a área social, mas deveriam ser melhor aplicados.

Pronto, já fiz o meu desabafo! A reportagem é curiosa, mas se for analisar todo o contexto do personagem, Edson, pedreiro, tenho assunto para muito mais textos. Assista à história e tire suas próprias conclusões:

Reportagem: Claudiomar César
Imagens: Emerson Carvalho
Edição de texto: Jean Jardim

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