Fazendo a Diferença: Balanço Geral Maringá ajuda mudar a vida de casal

Fazendo a Diferença: Balanço Geral Maringá ajuda mudar a vida de casal

Tudo que eles queriam era uma chance para mudar de vida. Vitor e Paula, dois ex-usuários de drogas, tinham tudo para desistir do convívio em sociedade. Marginalizados, já estavam marcados com o seu terrível passado, considerado vergonhoso para alguns, mas encarado de frente pelo casal. “Não vou mentir, já fui preso por motivo de mexer nas coisas dos outros. Me arrependi amargamente por que só eu sei o que passei lá dentro [da cadeia]. Hoje em dia eu prefiro catar uma latinha, cortar uma grama e até mesmo pedir, mas não mais roubar”, diz Vitor Nascimento dos Santos, um dos personagens dessa história, em entrevista para a RICTV Record.

Não esconder o passado é a forma mais honesta de encarar o problema de frente. Entre idas e vindas do mundo disperso das drogas, Vitor conheceu Paula e, juntos, se descobriram como verdadeiros companheiros e resolveram se fortificar entre si para dar um basta e seguir um novo caminho. E nessa nova fase conheceram um empresário, que de forma solidária presenteou os dois com um trailer que o casal chamava de casa.

Vitor trabalha na frente do trailer; situação incomodou moradores

Era uma casa, com direito a teto e muito boa vontade de parte da sociedade. No entanto, o medo do passado de Vitor e Paula, comum também do convívio em comunidade, prometia jogar os dois de volta na marginalidade. Denúncias fizeram a Prefeitura de Maringá pedir o despejo do casal, com o desmonte do único lar. “Eles iam tirar nossa casinha. Por causa das moças que ajudam a gente, conversaram e entraram em um acordo”, afirma Paula Camila Gomes. Só que esse acordo não durava muito e, em breve, os dois não teriam mais nada. É aí que entra a força do quadro Fazendo a Diferença, do Balanço Geral Maringá, e de pessoas ainda mais dispostas a doar parte de si para o bem de todos.

Após a exibição da reportagem, dois idosos se solidarizaram com a história do casal. Aí aparecem Antônio e Helena, moradores do Vale Azul, em Sarandi. Por acaso, dona Helena acabou ouvindo o apelo de Vitor e Paula no programa e não pensou duas vezes: resolveu ajudar. “Na hora encheu o meu coração de tristeza. Falei: vamos atrás deles”, conta Helena dos Santos. E não pensem que o trabalho dela e do marido foi fácil. Os dois procuraram o casal por três vezes no trailer até encontrá-los e oferecer um espaço para que os nossos personagens pudessem continuar a vida, “não custa nada a gente fazer o bem para uma pessoa que tá desamparada”, completa Helena.

Dona Helena com Vitor e Paula na nova casa, “não custa nada a gente fazer o bem”

Assim, Vitor e Paula ganharam uma casa, um teto, uma cama e muitos outros donativos que acabaram aparecendo de mais pessoas solidárias. Além disso, eles conseguiram também fortalecer vínculos familiares e descobrir algumas coincidências que só uma força maior no universo poderia explicar. Vitor restabeleceu contato com o pai, com a tia e com a avó. “Eles não acreditavam. Por eu pisar na bola, você sabe que a família já não vai acreditando mais. Já tirei coisas dentro de casa pra usar droga”, confessa o rapaz. “Liguei, conversei. [Meu pai] me viu, me abraçou, me beijou. Ganhei [uma família novamente]. Quero continuar assim se Deus quiser para o resto da vida”, finaliza.

E foi depois de reencontrar a família que Vitor descobriu que o próprio pai já havia recebido ajuda de Antônio e Helena. “[O pai] morou ali na casinha onde eu ia colocar ele [filho]. Eu brigava com o pai pra não brigar com ele”, diz Helena. Baita de uma coincidência. O rapaz, além de tudo, ganhou novos avós, tudo por conta de uma reportagem na TV, “ficamos sabendo e compadecemos em ver o programa” afirma Antônio Carlos de Lima.

O casal certamente conseguiu o que queria: uma chance para mudar de vida. “Arrumar um serviço, trabalhar e conquistar as coisas do jeito certo”, é tudo que Paula deseja. A sociedade deveria tratar as pessoas com dignidade. Guardadas as proporções, todo mundo erra. Reconhecer o erro, aprender com o passado e seguir em frente é algo inevitável na vida de qualquer cidadão. Ninguém é perfeito, somos todos humanos. É errando que se aprende, e é como seguimos depois disso que ganhamos a nossa própria liberdade. Faça a diferença você também: ajude o próximo!

Reportagem: Bruno Gerhard / Elvis Marçal / Marcelo de Lima
Produção: Ana Luíza
Edição de Texto: Ricardo Andretto
Edição de Imagens: Jonathan Garcia

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