Justiça e o desejo de uma mãe em luto em Sarandi

Justiça e o desejo de uma mãe em luto em Sarandi

Alguém aí já parou para pensar que o significado da palavra justiça tem muitas vertentes? A sua justiça depende muito da situação em que você se envolve, no que é “justo” como verdade ou alívio de determinado desconforto. No caso de uma mãe de Sarandi, que no último final de semana teve o filho assassinado a tiros na porta da casa onde ele morava, justiça é “poder olhar nos olhos [do assassino] e perguntar por que ele fez isso”, conta Rosa, mãe de Danilo Pereira Bueno, vítima de mais essa violência na cidade.

Cada indivíduo tem uma história e uma forma de conduzir a vida. E nessa vida entram os colegas, amigos e a família. E nessa convivência o ser humano ou aprende a lidar com as situações, ou se corrompe na eterna balança entre o certo e o errado. Por mais que essa mãe busque entender os motivos que levaram a morte do filho, no fundo ela sabe que nunca vai conseguir apartar essa dor. A morte de Danilo pode até ser justificada pelo assassino, mas por que? Tirar a vida por si só já é um ato cruel, egoísta e imprevisível. “Eu sepultei meu filho, é muito doloroso. Ele é que tinha que me sepultar, não eu sepultar ele. Eu quero que a justiça trabalhe no caso e que [traga] uma resposta pra mim. Eu quero o assassino preso. Ele não fez uma pergunta, ele simplesmente chegou e matou. Meu filho não era um animal”, afirma Rosa.

Danilo Pereira Bueno, morto a tiros na porta de casa em Sarandi

Para a família, Danilo, de 29 anos, era um pai de família. Tinha acabado de conseguir conquistar o maior sonho: a casa própria. Mas essa vida foi interrompida abruptamente por um individuo que disparou tiros contra o rapaz. Danilo morreu na frente do próprio filho, de 5 anos de idade, e deixou um trauma que ninguém vai esquecer. Revoltada, dona Rosa abriu o coração e conversou com o repórter Jota Junior, da RICTV Record, para desabafar sobre a morte do jovem. “Eu não aceito [a morte de Danilo]. Foi muito cruel, foi muita maldade. Essa pessoa que fez isso com meu filho não nasceu de uma mulher, não tem irmão, não tem família, não é de Deus. A pessoa que tem Deus não faz o que ele fez com o ser humano, ainda [mais] na presença de uma criança”, diz Rosa.

Dona Rosa sabe que a justiça que ela pede, não é a justiça que ela realmente quer em sua totalidade. O justo era ter tido o seu filho de volta e mesmo que ela queira condenar por conta própria o assassino, sabe que para continuar a viver em sociedade, precisa confiar essa decisão à humanidade. “Eu quero justiça, que a justiça seja correta, que trabalhe logo no caso, que me dê uma explicação. O que eu to passando eu não desejo para o meu pior inimigo. Meu neto vai ser criado sem pai, vai carregar o que aconteceu a vida inteira. Não vão tirar da memória [dele] o que aconteceu”, desabafa.

“Eu não aceito [a morte de Danilo]. Foi muito cruel, foi muita maldade.”
É dona Rosa, espero que a justiça seja feita. A Polícia Civil de Sarandi já investiga a participação de dois suspeitos no crime e já apreendeu um carro que teria sido usado na fuga pelo homicida. Você vai ter essa explicação muito em breve. E que a violência que você sofreu não continue a destruir novas vidas, novas famílias.

Reportagem: Jota Junior / Gustavo Duarte
Edição de texto/imagens: Ricardo Andretto / Jonathan Garcia

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